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Os sacerdotes e suas dores físicas, emocionais e espirituais

dores dos sacerdotesEsses dias acompanhei o Padre Gabriel Vila Verde e o Padre Antônio Rebouças, ambos do estado da Bahia, em uma missão de dois dias aqui no Estado de Pernambuco. Confesso que, ao final da “minha parte ” na missão, eu estava completamente exausta, mas a parte deles continuou e eles foram até o fim.

Como alguns de vocês talvez saibam, o Padre Gabriel é conhecido nas redes sociais e eu fique bastante surpresa quando eu tentei poupá-lo do assédio das pessoas por perceber o seu extremo cansaço e ele respondeu: “Minha filha, eu quero atender todos que queiram se confessar”, ou quando eu disse que era melhor não divulgar que ele estaria em determinado lugar e em determinado horário porque iria encher de gente e ele respondeu: “A alegria de um Padre é estar perto das pessoas. Deixe que venham.”

Eu percebi que em muitos momentos ele e o Padre Antônio estavam indo além das suas forças e isso me levou a conversar sobre o assunto com outros Sacerdotes. Para minha surpresa, constatei que ir além das forças é algo que está para o Sacerdócio como escovar os dentes ou pentear o cabelo está para qualquer um de nós, ou seja, eles fazem (em silêncio) todos os dias.

Uma pesquisa de 2008 da ISMA Brasil¹ (organização de pesquisa e tratamento do estresse), apontou que:

A vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes.

Naquele ano, 448 dos 1.600 padres e freiras entrevistados, ou seja 28%, se sentiam “emocionalmente exaustos”. O percentual de clérigos nessa situação era superior ao de policiais (26%), executivos (20%) e motoristas de ônibus (15%) que se declararam exaustos emocionalmente.

Após a missa celebrada na cidade de Santa Cruz do Capibaribe (PE), ocasião na qual já acumulávamos duas noites mal dormidas e, no mínimo, uns 600 km de estrada, sem contar com a viagem de avião que os Padres fizeram, o cansaço já tinha despertado vários sentimentos em mim, como um botão que vai ligando coisas como irritabilidade, impaciência, dificuldade de raciocínio.

Eu tinha ido para o hotel com o Fillipp Cabral que servia conosco naquela ocasião. Tínhamos descansado cerca de uma hora, no ar condicionado, olhando as redes sociais e chupando balas de hortelã, enquanto nós descansávamos, os Padres celebravam a Santa Missa e, após a celebração, mesmo tendo atendido confissões anteriormente, se formava uma nova fila para confissões e esta era imensa. Após os Padres darem conta desta primeira fila, muitas outras pessoas os cercaram na saída da igreja. Cada um daqueles fieis traziam seus problemas, cada um levava um conselho, um afago, um encaminhamento. Eu observava tudo do alto da minha impaciência, mas não pude deixar de pensar em:

Quem ouvirá os problemas daqueles dois sacerdotes que haviam acabado de ouvir os problemas de tanta gente?

Como eles fazem para “descarregar” tanta coisa pesada ouvida consecutivamente? Quantas vezes estamos prontos e afiados para julgar e acusar os sacerdotes diante de qualquer falha? Quantas vezes nos escondemos diante desta máquina maravilhosa que é o computador para condená-los sem nos lembrar de quantas vezes eles nos absolveram de nossas culpas e aliviaram nossas dores com a linda frase “Vá em paz e que o senhor vos acompanhe”?

Em abril de 2012, a Revista Isto É publica uma intrigante matéria intitulada “Padres no Div┲ e traz o dado de que A Fazenda da Esperança, presente no Brasil e em outros dez países, tem nos dependentes de drogas o seu público-alvo, mas cerca de 3% de seus pacientes são religiosos. Mas o que levaria um Sacerdote ao alcoolismo? A falta da fé? Ele ser fraco? Não ter certeza de sua vocação? Nada disso, penso que o justo a dizer é que estes caminhos são trilhados pelo fato de serem humanos e, muitas vezes, pela falta de humanidade nossa (leigos) em relação a eles.

Antes desta missão eu ainda não tinha atentado para o fato de que o Sacerdote não é um “Super Herói” e não devemos esperar que ele fosse. Antes destes dias eu não tinha parado para pensar que o meu sacerdote precisa do meu sorriso, do meu carinho, dos meus dons tanto quanto eu preciso dos dele e que é justo que haja esta troca.

Olhe com carinho para o seu Sacerdote, esteja atento às suas necessidades e não entregue unicamente aos céus a responsabilidade de cuidar daquele que optou por cuidar de você. Lembre-se que a dor que dói em você e em mim, também dói nele.

Cada sacerdote é um presente de Deus!

Escreve: Ana Lígia Lira

Fontes:

1 – ISMA Brasil (organização de pesquisa e tratamento do estresse) http://www.ismabrasil.com.br/

2 – Revista Isto É – “Padres no Divâ” – Em abril de 2012 – https://istoe.com.br/197721_PADRES+NO+DIVA/

(via Fundação Nossa Senhora de Cimbres)

 
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